5 trabalhos de Bruno Lara
Bruno Lara
Com uma discografia extensa, que já soma 41 trabalhos entre álbuns e EPs, a obra de Bruno Lara se constrói como um exercício permanente de reinvenção, mais comprometido com investigação artística do que com o mero entretenimento. Entre lançamentos recentes, como Fluxos, e trabalhos marcantes como Behind The Jazz, Áries, Touro e Escorpião, Meraki e Vital, o artista transita com naturalidade por diferentes gêneros, linguagens e formações — do solo ao duo, trio, quarteto e quinteto.
1 — Fluxos
Fluxos é, talvez, o álbum-síntese da trajetória de Bruno Lara. Nele, a MPB encontra o jazz-rock em uma de suas formas mais maduras, reunindo composições contemporâneas, faixas solo, improvisações e diferentes possibilidades de formação instrumental.
Ao longo do álbum, referências bastante distintas convivem dentro de uma linguagem própria: Jeff Beck, Mike Stern, Hermeto Pascoal, Richard Strauss, Miles Davis, Bach, Debussy, Clube da Esquina, João Donato, Pat Metheny, Santana, Steve Vai e Frank Zappa aparecem como parte de um amplo universo musical, assimilado e transformado pelo artista.
2 — Behind The Jazz (EP)
Behind The Jazz apresenta três perspectivas sobre a linguagem de Bruno Lara como guitarrista e improvisador.
Em “All Blues”, de Miles Davis, a tradição jazzística surge como ponto de partida, com fraseado aberto, interação e liberdade rítmica. “As Cores da Lua” amplia esse vocabulário por meio de uma harmonia móvel, inspirada em John Coltrane, e de um improviso mais cromático e fusion, aproximando o jazz de uma linguagem contemporânea.
Encerrando o EP, “Guitarra Solo, Taurino Ariano” retira o conjunto de cena e deixa apenas guitarra, dinâmica, espaço e silêncio.
Sob a influência da filosofia musical de George Russell, Behind The Jazz percorre um caminho entre jazz, fusion e música instrumental, partindo da tradição em direção à identidade: primeiro o idioma, depois sua transformação e, por fim, o músico por trás dele.
3 — Áries, Touro e Escorpião (EP)
Áries, Touro e Escorpião manifesta a faceta mais rock fusion de Bruno Lara, com momentos de maior intensidade técnica e aproximações com o shred, além de influências de Allan Holdsworth, Steve Vai, Jeff Beck e Buckethead.
Em formato de trio, o EP reúne improvisações pouco convencionais, momentos de humor e uma abordagem visceral da guitarra. O trabalho também registra um processo de superação da tendinite, no qual a economia de movimentos passa a fazer parte da própria solução técnica.
As performances foram registradas em um único take, preservando espontaneidade, risco e o caráter imediato da improvisação.
4 — Meraki
Meraki é um álbum marcado pela transformação musical constante e pelo uso de compassos ímpares, mudanças de direção e combinações pouco previsíveis.
Um samba-jazz propositalmente torto, elementos de rock progressivo e outras surpresas convivem dentro de uma formação em quinteto. A presença do sax barítono acrescenta uma cor particular ao conjunto e contribui para o caráter pouco convencional do álbum.
É um trabalho em que arranjo, improvisação e mudança de perspectiva caminham juntos.
5 — Vital
Vital foi gravado ao vivo em estúdio, em formato de quarteto, e mergulha diretamente no universo do jazz-rock.
O álbum combina a atmosfera e a energia do final dos anos 1970 com uma abordagem guitarrística contemporânea, trazendo fortes referências a nomes como Jeff Beck, Gary Moore e Joe Satriani.
A interação entre os músicos, a espontaneidade das performances e a sonoridade de banda tocando em tempo real são elementos centrais do trabalho.
Todos os álbuns e EPs estão disponíveis nas principais plataformas digitais.
