domingo, 28 de junho de 2026

Não sou lickeiro.


 
Não porque ache errado estudar licks, mas porque meu cérebro aprende de outro jeito.

Para mim, decorar frases é como decorar um ditado popular: "Batatinha quando nasce, se esparrama pelo chão." Depois, toda vez que você vai falar alguma coisa, acaba colocando a batatinha no meio. Eu prefiro mudar a história. Talvez apareça um pimentão... ou algo completamente diferente.

Quando escuto um grande músico, não procuro a frase 25 para ligar com a frase 33. O que absorvo é a intenção, a direção da melodia, a tensão, o ritmo, o estado de espírito e a coragem de correr riscos.

Aprendo por osmose, pela intenção e pelo estado de espírito. Talvez por isso o Jazz, o Rock e a música de concerto da fase impressionista me influenciem tanto.

Improviso compondo. Muitas vezes nem sei exatamente para onde a próxima frase vai. Descubro enquanto toco.

Não quero reproduzir um discurso pronto. Quero construir uma linguagem própria.

Não estudo frases para reproduzi-las. Estudo o pensamento que as criou.

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