domingo, 24 de maio de 2009

O Que É Isso? - faixa a faixa



Sobre as composições do Disco (O que é isso?)

Este é um texto muito interessante, para quem aprovou a minha proposta como músico e compositor dentro do meu primeiro trabalho profissional.
Não se trata apenas de nomes de músicas, mas sim de vivências pessoais, que me levaram rumo à composição.

Cada música retrata os meus altos e baixos e em diversos fragmentos posso ouvir cada emoção.

Insônia

A idéia de criar uma música com este título partiu do fato de que tenho uma ligação noturna com o universo artístico, e por um período extenso de minha vida, tive problemas relacionados a insônia.

E uma dessas noites mal dormidas, com o rosto apático, consegui absorver um aspecto mórbido e bucólico, no qual fui encaminhado para as cordas do meu violão.

Ao tocar violão, comecei a transpor parte de minhas noites mal dormidas, e me parece que alguma dessas noites, foi se agrupando e criando uma atmosfera melódica.

A música em si, tem como proposta uma não resolução, no qual não pensei tecnicamente nesse termo, mas melodicamente ela me abriu essa possibilidade.

È uma música de peso, emoção, reflexão.

Depois que fiz essa música, confesso que até voltei a dormir melhor, devido a reciclagem que usei em mim mesmo.

Poluição

O tema em questão já é bem sugestivo e atual, mas o que despertou atenção na forma composicional foi pensar nesse termo de uma forma livre.

O mundo de fato está sujo, poluído, cheio de informações nocivas, a velocidade com que as coisas acontecem é fantástica, mas, o que me chama atenção é o excesso.

É uma música com um grande número de notas, com uma atmosfera moderna onde pode se ouvir, de maneira musical, uma boa forma de limpar o mundo.

O que é isso?

Na verdade, nem eu sei o que é isso. O que é isso?
È uma música com uma pegada dançante com influências de Funky, Pop e Jazz.

Foi uma melodia bem por “acaso”, quando toquei as primeiras notas eu pensei, mas afinal, de onde veio isso, o que é isso?

Gosto muito dessa canção, pela subjetividade do título, e pelas passagens que ela oferece.

O que mais me aproxima dessa canção, é que me lembra uma celebração, uma festa, ela me remete a fase pós- insônia.

Será que isso é amor?

Essa música veio quase pronta digamos assim (risos); estava com um violão elétrico e minha mãe ao lado, toquei de forma intuitiva e espontânea, e de repente, minha mãe se emociona ao ouvir, no entanto, nem percebi que tinha composto uma melodia.

Estava numa fase em que estava sem esperanças para o amor, mas ao mesmo tempo, existia certa "saudade" de momentos felizes, que me davam uma impressão de que aquilo poderia ser amor, daí a idéia do título.

È uma melodia que tem uma idéia vocal, e ao mesmo tempo uma "pureza" muito interessante.

Baião da Cura

No período em que estava compondo todas as canções, fiquei com catapora; e isso a princípio foi uma situação muito chata, pois não podia fazer quase nada, então joguei todas as minhas energias nas composições.

Lembro que, por estar doente, me sentia triste e comecei a ouvir outros estilos musicais, para buscar um pouco mais de incentivo.

Comecei a escutar Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Nadinho do Acordeom e, dessa mistura de lamento e alegria, nasceu o meu Baião.

Que quando terminei de compor, estava melhor da catapora, então penso que a cura da catapora foi pela música.

Mutreta

Foi à última música a ser composta e eu não sabia muito bem o que fazer com ela. Quando escrevi a linha melódica, peguei um dicionário de língua portuguesa e pensei o que aquele som poderia me dizer, e me deparei com a palavra: Mutreta.

Aí eu pensei: nesses últimos anos, têm acontecido umas confusões interessantes, na minha vida acho que vai soar musical colocar um pouco de mutreta nisso.

E ficou com uma linguagem bem interessante, toda vez que eu escuto essa música, começo a achar graça das coisas que me aconteceram.

Terra

É uma música tipicamente Jazz, estilo no qual comecei a pesquisar vendo filmes antigos e músicas da década de 20 e 30.

O título não tem uma conexão direta com a música, o que de fato me parece importante é poder resgatar elementos de uma época de ouro do Jazz.

Música

Essa música eu gosto muito pela pegada roqueira que ela oferece.
Venho de uma escola roqueira de guitarra e, mesmo que toque outros estilos, não posso negar a minha paixão e energia que tenho pelo Rock.

Em particular gosto das passagens que a música me oferece e a composição do solo em si foi influenciada por Jeff Beck e Joe Satriani.
É uma música que tem um pouco de Pop, jazz e aquele veneno que um bom rock pode lhe proporcionar.

Ela se chama Música pois me soa festeira também e acho que música é uma grande festa, uma alegria na vida das pessoas.

À Tardinha

Quando fui a Paraty, escutei muita MPB e Bossa Nova, essa música se chamava : Guitarra e Violão.

Depois que mudei o nome para À tardinha, percebi que seria uma boa música instrumental, por ser um tema simples, sofisticado e pacífico.

Via Láctea

Há um fato curioso à respeito dessa canção: estava compondo um rascunho para essa música, mas não consegui resolver o que iria fazer com ela.
Depois de uma visita quase que acidental ao Planetário, comecei a viajar em galáxias, mitologia e concepções astronômicas.

O nome da música foi conseqüência dessa influência, e toda vez que olho para o céu, e tento ver o que há além, essa melodia entra em meus pensamentos.

Queimada

A idéia inicial dessa música, era fazer uma jogada apenas com violões; com o passar do tempo, fui conversando com o Nelson Faria e percebi que se tratava de um tango, com influências de Piazzola.

Gosto muito de música latina, com "tempero", me identifico muito com essa música, gosto do clima que ela proporciona, é uma música que tem presença, é forte por natureza.

Depois então percebi que a idéia de juntar Piazzola com Carlos Santana me soava muito interessante, pois estaria mais uma vez fazendo uma fusão.
O termo “queimada”, se refere a uma coisa vermelha e quente, no qual acredito ter criado na melodia.

Ovo Frito

Lembro quando estava compondo esta música. Falei com o Paschoal sobre a melodia e ele gostou muito do tema e da minha concepção.

Depois que tive alguns problemas pessoais, fiquei com certa raiva do que estava acontecendo, coloquei um Cd do John Coltrane, e comecei a ouvir aquilo por dias.
Um belo dia acordei com muita fome, e deixei o Coltrane tocando, fui até a cozinha e fui fazer algo para comer.

Com essa fusão de música e culinária, pude terminar de compor a Ovo frito.
No momento em que estava preparando o ovo, eu comecei a compor mentalmente; saí correndo para pegar a guitarra e gravei o que seria a Ovo Frito.

Feito isso, consegui voltar em tempo para a cozinha e saborear o prato que fiz.
Quando olhei para o prato eu ri e disse: É isso aí que vai ser!